Prêmio Top de Marcas Londrina 2012

Novo rumo para velho lixo

ONG recolhe, separa e, às vezes, recupera computadores que são jogados fora O que o HU, a Epesmel e a Apae de Londrina têm em comum com uma creche e uma aldeia indígena de São Jerônimo da Serra? São, todas elas, entidades que nos últimos dois anos receberam computadores doados por uma organização não-governamental. Criada em março de 2008, a Associação de Recicladores de Lixo Eletrônico recolhe descartes de  equipamentos eletroeletrônicos, separa e vende todo o material e, quando é possível, recupera computadores, que vão parar em locais onde é feito bom uso deles. Em Londrina, para ficar em apenas um dos exemplos acima, 36 equipamentos integram dois laboratórios de informática na Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), que há mais de 30 anos busca dar um rumo à vida de crianças e adolescentes de 7 a 17 anos em  situação de risco.
A ONG, é claro, não vive de doações. O salário dos quatro funcionários e o aluguel de um barracão de 300 metros quadrados no Parque Bom Retiro, próximo ao Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, são bancados pela venda dos materiais selecionados entre as cerca de oito toneladas mensais de entulho coletadas junto a empresas, escritórios, órgãos públicos e quem mais resolver se livrar do que considera obsoleto. E material é o que não falta. Nesse ano, para se ter uma ideia, a Viação Garcia descartou 250 computadores – todos foram parar no barracão da Rua Ermelindo Leão.
A ONG foi criada e é comandada por Alex Gonçalves, que desde criança é fissurado por informática. Fez curso técnico e, depois, de treinamento e aperfeiçoamento e até o começo do ano passado trabalhava como autônomo até se tocar de que, a rigor, ninguém recolhia o que era atirado em terrenos baldios. Meses depois, estava constituída a ONG E-lixo, que trabalha com a reciclagem não só de computadores, mas de todo aparelho eletroeletrônico – rádio, TV, ar condicionado, celular. Deles, a firma Gonçalves, são retirados pelo menos cinco tipos de material reciclável: placas, fios, plástico, lata e vidro que, em grandes quantidades, são reutilizados pela indústria. “Reciclagem gera renda, qualidade de vida, inclusão digital”, ele explica.
“Quando começamos o trabalho, pensávamos apenas na questão ambiental”, diz Gonçalves, que não se esquece de um despejo de toneladas de equipamentos na Estrada dos Pioneiros cujo responsável, depois de identificado por fiscais da prefeitura, ateou fogo no material para eliminar provas.
“Depois, vimos que o trabalho poderia ter também um viés social”, acrescenta ele, que hoje dedica quase todo seu tempo de trabalho à ONG e tem como metas, além da ampliação das atividades da E-lixo, a disseminação dessa iniciativa por outras cidades e, no plano político, lutar para que o País tenha uma legislação que contemple a logística reversa – para que indústria e comércio assumam a destinação de seus produtos, na perspectiva de que, em médio prazo, não mais seja preciso criar ONGs para cuidar disso.

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